Não coma a vida com garfo e faca. Lambuze-se.
A gente aprende cedo a se comportar. A não falar alto demais. A não sentir demais. A não exagerar. A vida vai sendo servida pra gente como um prato bonito, e a gente vai aprendendo a cortar em pedaços pequenos, a não fazer bagunça, a não sujar as mãos. Tudo muito certo. Tudo muito controlado. Tudo muito… pouco. Porque, no meio desse cuidado todo, a gente esquece de uma coisa simples: a vida não é limpa. Ela escorre. Ela surpreende. Ela acaba. E esse é o ponto que ninguém gosta de encarar. A gente vive como se tivesse tempo infinito, como se desse pra deixar pra depois aquele encontro, aquela ligação, aquele abraço mais demorado. Como se o “qualquer dia” fosse um lugar garantido. Não é. A vida não avisa. Ela não manda lembrete, não negocia prazo, não dá chance de voltar no momento que você decidiu viver pela metade. De repente, alguém que você ama não está mais ali. De repente, aquele momento já passou. E o que fica não é o que você fez “direitinho”, não é o quanto você manteve a ...









