O mito da estratégia “intuitiva”
Existe uma lenda nas empresas.
Ela diz que grandes líderes têm uma intuição quase mágica para tomar decisões estratégicas.
Tradução real:
às vezes alguém chuta com confiança suficiente para parecer visionário.
Enquanto isso, a pessoa autista, superdotada, ou que treina a mente para, na sala está pensando:
“Isso não faz sentido nenhum.
Os dados dizem exatamente o contrário.”
Mas ela fica quieta.
Porque, aparentemente, analisar demais é considerado estranho, enquanto decidir sem analisar é considerado liderança. (sempre vou puxar sardinha para o lado dos neurodivergentes, o restante já tem seu lugar no mercado de trabalho)
Curioso, né?
Hiperfoco: quando o cérebro abre 47 abas ao mesmo tempo
Uma das coisas mais fascinantes do autismo é o hiperfoco.
Para quem não vive isso, é difícil explicar.
Imagine que seu cérebro decidiu que um tema é importante e abriu automaticamente:
-
12 teorias
-
9 cenários possíveis
-
4 falhas do sistema
-
3 oportunidades de mercado
-
e uma pergunta existencial no meio do caminho
Tudo isso antes do café esfriar.
Enquanto isso, alguém na reunião diz:
“Vamos fazer assim porque sempre fizemos assim.”
Nesse momento, a pessoa autista está mentalmente analisando:
-
risco operacional
-
impacto sistêmico
-
desalinhamento estratégico
-
incoerência lógica
-
e o fato de que ninguém ali leu o relatório que foi enviado ontem.
Mas claro…
quem está sendo “intenso” é o autista.
A vantagem estratégica de pensar diferente
Agora vem a parte interessante.
Empresas gastam milhões tentando desenvolver coisas como:
-
pensamento sistêmico
-
análise profunda
-
inovação real
-
visão estratégica
E adivinha?
Muitas pessoas já operam assim naturalmente.
O problema nunca foi capacidade.
O problema é que o ambiente corporativo foi projetado para parecer inteligente, não necessariamente para ser inteligente.
Existe uma diferença enorme.
Parecer inteligente envolve:
-
usar palavras difíceis
-
fazer apresentações longas
-
repetir tendências do LinkedIn
Ser inteligente envolve:
-
questionar premissas
-
identificar padrões
-
encontrar erros no raciocínio coletivo
E isso… pode ser desconfortável para quem prefere reuniões de duas horas para decidir algo que um bom raciocínio resolveria em vinte minutos.
A ironia da inovação corporativa
Empresas dizem querer diversidade.
Mas geralmente estão pensando em algo como:
“Diversidade… mas que pense igual.”
Quando aparece alguém que:
-
enxerga inconsistências
-
faz perguntas difíceis
-
conecta pontos improváveis
-
não entende certos jogos sociais
…a reação inicial raramente é:
“Que mente estratégica incrível.”
A reação costuma ser algo entre:
“Ela é muito direta.”
“Ele complica demais.”
“Será que não pode ser mais simples?”
Spoiler:
não é que está complicado. É que agora ficou claro.
Estratégia de verdade exige desconforto
Estratégia real não nasce de consenso confortável.
Nasce de perguntas como:
-
“Por que estamos fazendo isso?”
-
“Isso realmente funciona?”
-
“Existe uma forma melhor?”
E aqui entra algo que muitas pessoas autistas fazem naturalmente:
questionar a lógica invisível do sistema.
Enquanto muita gente aprende a navegar regras implícitas, o cérebro autista frequentemente faz algo diferente:
Ele pergunta:
“Mas… essa regra faz sentido?”
E essa pergunta é perigosamente poderosa.
Porque muitas vezes… a resposta é não.
Salto alto, hiperfoco e um pouco de caos organizado
O nome deste blog não é por acaso.
Salto alto é sobre presença, identidade, elegância.
Hiperfoco é sobre profundidade, intensidade e pensamento estratégico.
A combinação dos dois é curiosa.
É a pessoa que:
-
analisa sistemas complexos
-
escreve textos gigantes sem perceber o tempo passar
-
questiona estruturas
-
e ainda consegue escolher um sapato bonito para sair de casa.
Ou seja:
sofisticação cognitiva com um toque de sarcasmo.
No final das contas…
Talvez o mundo corporativo ainda esteja aprendendo algo simples:
Pensar diferente não é um problema.
Às vezes é a única coisa que realmente resolve o problema.
E enquanto isso não fica totalmente claro…
Seguimos aqui.
De salto alto.
Com hiperfoco.
E observando silenciosamente o momento em que alguém finalmente percebe:
“Espera… talvez ela estivesse certa.”
Normalmente isso acontece uns seis meses depois.
Mas tudo bem.
Estratégia também é saber esperar.
Obs. No meu caso não sou superdotada, mas tenho amigos, e fica passada com a capacidade deles de analisar rapidamente e chegar a conclusões surpreendentes. Eu sou mais de questionar e traçar rotas alternativas, mapear prós e contras.



Comentários
Postar um comentário